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Einstein, cerveja e as estrelas

Pedi uma cerveja, porque sempre achei que cerveja não era bebida que se bebe sozinho. Não tem graça, nem magia. E era assim que estava no momento. Neyl, estava na mesa ao lado. Como gosto de observar fiquei atento. Ainda não sabia seu nome, mas sabia que tinha uma presença que chamava a atenção. Escrevia com muito ímpeto num pedaço de papel, um guardanapo, um caderno de anotações, não sei. Escrevia como se o papel fosse madeira e sua caneta uma um formão. Parecia um escultor dando vida aos seus pensamentos que, em primeira vista, podem parecer complexos e confusos, mas ele sabia exatamente o que estava fazendo. Não parou um segundo se quer e já se passaram meia-hora. Acenei para ele e não me viu. Pedi para que entregassem uma bebida a ele, uma cortesia para tentar um papo.  Nada. E nunca interrompia sua escrita. Notei que olhava muito a janela, principalmente a maior onde o céu mais aparecia. Era uma noite maravilhosa! Estrelas milhares, azulada, parecia que deus era Vang Gogh e saiu dando pinceladas descontroladas para celebrar essa noite! Ele observava e escrevia, observava e escrevia… Sua rotina não poderia ser interrompida por nada. Começou também a fazer alguns desenhos, uma espécie de mapa e alguns cálculos. Muitos cálculos! Foi-se, sabe-se lá para onde. Perdi a chance de fazer uma amizade. Tentei colher alguma resposta do Garçom, esse me disse que aquela figura se chamava Neyl Tyson, era um astrofísico que passava pelo bar toda sexta-feira, no mesmo horário chegava, no mesmo horário partia. Há 02 anos estava trabalhando numa descoberta que poderia mudar o mundo: Dizia que há vida fora da terra. Todos no bar riram. Menos eu… Eu acredito nele até hoje.

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