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As aparências,...

Estava na praça, o vi sentado. Maltrapilho, Com as mãos estendidas como quem pede esmola, Em silêncio. Todo sujo. Fiquei observando de longe, Tomando um café com pão na chapa. Pensei o quão confortável era eu estar ali o observando e ele, com fome, sede, falta de esperança, me deu um nó no coração. Pedi mais um pão e um café com leite pra viagem. Assim que meus pedidos ficaram prontos os levei para ele. Me aproximando, como ele não falava nada eu decidi também não falar, ofereci os quitutes com um gesto. Ele agradeceu com outro gesto e eu sentei ao lado. Disse: “Bom dia! ”, respondeu-me: “Bom dia! Agradeço...”, “Sem problemas. Não custa nada repartir o pão de cada dia”. “Pelo ‘bom dia’, eu quis dizer” fulminou minha resposta, me surpreendendo de maneira inimaginável. Silenciei, profundamente.... Começamos uma conversa bem difícil, porém agradável. Falamos sobre a vida, sobre morte, sobre sociedade. Mas eu mais escutei do que falei. Ele me disse que era seu último dia ali e que eu não o veria mais nesse local, porém com certeza eu fui o resultado mais relevante naquele dia. Não entendi nada. Um mês depois, passando numa quadra ao lado, vi um banner sobre uma palestra de um grande profissional na área do Marketing Multinível, quando me aproximei, pasmei: o cara da foto era o mendigo que conheci antes! Não acreditei! Comecei a ler a sinopse do evento e nela fala que esse cara, Drº Jetro, falaria sobre sua experiência social onde se disfarçava de mendigo e testava a generosidade das pessoas.

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