CANCUN, CONEXÃO BRASIL!
Nunca vi nada parecido! Um homem, de estatura baixa, com um caldeirão preso ao pescoço e um sorriso absolutamente sincero. Impossível não ser, não há como explicar, mas olhando não tinha como duvidar. Uma bolsa presa na lateral da cintura e, dentro dela, alguns potes. Acenava para todos e sorria enquanto procurava, os mais necessitados, e servia-lhes um pote de sopa para cada um. Me aproximei, dei “bom dia!” e disse a ele que era uma atitude muito nobre o que ele fazia. Ele sorriu (sempre sorria!), pegou na minha mão como quem agradece e perguntou se eu queria um pouco de sopa. Eu aceitei, curioso que estava para provar. Quando comi, chorei. Chorei compulsivamente. Ele sorriu tentando me acalmar. Mas não adiantava, quando eu comi senti minha mãe passando a mão em meus cabelos (quando eu tinha cabelos!) e levantando minha cabeça em seu peito. Lembrei das brigas com meu irmão que sempre queria comer primeiro. Lembrei de como eu roubava a mistura do prato da minha irmã. Foi uma comida muito poderosa que me arrebatou. Então, José, me disse: “Bom, né?” e sorriu como sempre. Eu, ainda em prantos, balancei a cabeça acenando um “sim”. Ao sair ele deixou cair sua carteira e saiu apressado. Eu a peguei e tentando gritar seu nome li em seu RG “João da Paz” e dentro da parte que se guarda dinheiro vi uma passagem para Cancun, enquanto corria. Fiquei espantado! Me aproximando gritei seu nome ele parou, mostrei a carteira e ele sorriu retornando em minha direção. Entreguei, sem nenhuma palavra a sua carteira e ele me agradeceu dizendo: “Sabia que tem mendigos em Cancun também? Mas a televisão não mostra isso pra gente”. E saiu, sorrindo, com seu eterno amor banhando todos ao redor...
