
JOÃO E SEU MISTÉRIO
Tinha um riso fácil de quem gosta de se divertir. Bem aprumado com gravata, camisa e dinheiro. Muito dinheiro! Como eu sabia? Simples! Saiu do restaurante mais caro que havia e passou no barzinho, de lá saiu bebendo o champagne mais caro que tinha encontrado. Gritava aos seus amigos que tudo o que queria era ter muito dinheiro e viver trabalhando! Se gabava falando que havia viajado para Paris, comprado uma casa por lá e, na última hora, decidido vir para o Brasil e comprar uma casa aqui. Pareciam bem felizes e eu, somente por vê-los, me senti contagiado. Isso era lá pelas cinco da tarde. Anoiteceu, eu ainda sentado no banco da praça ficava caçando no olhar os últimos resquícios de humanidade que o lugar poderia me oferecer. Quando vi uma figura de capuz. Andando rápido e se dirigindo ao mercado. Logo após saiu com pressa segurando algo e foi até a escadaria da igreja. Lá chegando tirou da embalagem um pão e um pote de margarina. Rasgo o pão com os dedos e com os próprios passou no mesmo. Fiquei observando muito curioso. Parecia muito saboroso aquele pão com manteiga. Olhou para os lados, certificando-se de quem não tinha sido seguido e tirou do bolso uma caneca, dessas de alumínio, foi até o posto de gasolina e voltou com ela cheia. Julgando pelo vapor que saia deduzi que era café. Bebeu como se não houvesse amanhã! Saciado passou próximo de mim e lhe dei “boa noite” ele, me reconhecendo como o observador que mal eu sabia que ele tinha notado há pouco tempo me disse: “Dinheiro é bom. Amigos é bom. Mas bom mesmo é não esquecer das nossas raízes”. E saiu, sabe-se lá para onde. Para dentro de alguma rua escura ou de si... Quem sabe?